Quantas opções levar?

Por Lucas Machado | 4 minutos para ler

O HACK: Identidade visual não é concurso de beleza.

“E aí? Vamos com quantas opções?”

Essa é uma dúvida que sempre aparece na fase de identidade visual.
Já vi todo tipo de abordagem a esta questão, mas saio em defesa de, literalmente, uma.

Não é preciso explicar que quanto mais opções levar, mais difícil será a escolha. Vai parecer que qualquer solução atende a estratégia proposta, o que enfraquece o trabalho, e no fim só confunde o cliente. Isso fica mais óbvio se exagerarmos a seguinte situação: seria mais fácil escolher entre 2 ou 200 opções?

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“Ok, então pelo menos duas, assim o cliente verá alternativas”.
Parece o cenário ideal, certo? Uma opção conservadora e outra disruptiva, e no fim torcer para escolherem a disruptiva. Mas pera lá, se você acredita mais em uma, por que não mostrar somente ela? Veja, se depois de todo o briefing, auditoria, entrevistas, achados, plataforma e mais importante, a proximidade com o cliente, ainda existe dúvida do que ele precisa, algo está errado.

Quantas opções são desenvolvidas por aí somente para existir como segunda escolha? Já nascem para acabar na gaveta, e, pior, o cliente pode de fato escolhe-la, fazendo com que a qualidade do trabalho caia. Aliás, se não acredita em algo, não leve.
E mesmo que sejam duas opções super bem desenvolvidas, o cliente ainda perguntará sua recomendação, que tem duas respostas possíveis:

1 -“Estamos confortáveis com ambas”
Isso significa as duas tem suas qualidades, correto? Logo por que não unir o melhor das duas? Surgem os famigerados “Frankensteins”.

2 – “Recomendamos a opção A”
Então por que levou a B?

Nos dois casos há horas de trabalho desperdiçado, que poderiam ter sido utilizadas para enriquecer e aprofundar uma entrega só. Experts em branding deveriam saber qual opção reflete melhor a estratégia.

“Mas pera lá, temos de surpreender o cliente!”.
Concordo, mas surpreenda colocando todos seus esforços em encontrar uma solução que ponha a marca dele no rumo da estratégia traçada. Chegar nessa opção requer muito estorço coletivo. E claro que no caminho surgem várias ideias, isso é natural do processo de criação. Mas, como disse, somos capazes de identificar qual tem maior potencial e desenvolve-la.

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“Mas o cliente exigiu mais de uma opção.”
Ok, é possível dividir mais de uma ideia enquanto estão no plano conceitual, trazendo o cliente para perto do processo. Isso faz com que ele vá absorvendo e contribuindo com o projeto, se tornando parte da ideia. Dessa forma quando o visual for criado não haverá surpresa negativa, o resultado já era esperado. Por isso a importância da proximidade.

O problema é quando essas reuniões para compartilhar o trabalho em andamento se transformam em apresentações finais, com dezenas de aplicações, opções e prazo curto. Mais trabalho perdido. Não perca o foco.

Um exemplo que reforça a ideia de levar somente uma opção são apresentações de case. Você já viu vi alguém se levantar no fim da apresentação e dizer “muito legal tudo isso, mas cadê a outra opção?”. Ao apresentar um case, contamos de onde partimos, qual foi o pedido, o diagnóstico gerado, solução encontrada, plataforma desenvolvida e por fim como baixamos aquilo em uma idea criativa. Eu sei que há storytelling envolvido, mas também há coerência.

É o mesmo princípio para identidade visual, toda apresentação deveria ser encarada como um case, com uma opção no final. Se o trabalho foi bem feito e tudo está amarrado, não tem erro.

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A consultoria BigFish conta uma experiência assim com o projeto Gü, Eles apresentaram a identidade visual como se fosse o case de um concorrente, isso fez com que o cliente enxergasse com os olhos de um consumidor, e não de dono. Quando ele soube que na verdade aquela era a sua marca em questão, comprou a ideia na hora.

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“Nossa, que arriscado, e se o cliente não gostar?”
Bom, primeiro que se “gostar” depender do gosto pessoal de alguém (geralmente um presidente/CEO/fundador que nem está tão envolvido no projeto) já está tudo errado.
A opção desenvolvida responde a estratégia traçada, quem deveria gostar ou não é o consumidor alvo. Mas se mesmo assim, depois de tudo alinhado com o cliente, a opção por algum motivo não corresponder a expectativa, simplesmente voltamos e buscamos outra solução.

Por fim, se o projeto foi feito com o nível de detalhe, entendimento e proximidade necessário, não há por que ter medo de levar só uma opção. Afinal, foi para isso que te contrataram, criar a identidade visual de uma marca, que no fim é uma só.

Photo by rawpixel.com on Unsplash

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